segunda-feira, 26 de julho de 2010

Novos Astros

Nos raros momentos em que ligo a televisão atualmente, tenho a impressão que uma parte das mulheres não gosta mais de homens. Me refiro a homens de verdade, que inclusive se parecem com homens. Acho que essa é a razão para os NX Zeros, Restarts etc fazerem sucesso. A moças, principalmente as mais novas, ficam loucas quando aqueles andróginos entram no palco. Parecem meninas vestidas de meninos. Bom, mas isso supondo que aquelas roupas sejam de meninos, já que não entendo as nuances da moda alegre de hoje. As músicas são um espetáculo a parte. De cara, você pode achar que são todas iguais. Não ache isso, porque são mesmo todas iguais. O ritmo parece que vem pronto e se mantém simples, assim não fica tão óbvio que quase sempre estão fingindo que estão tocando. As letras falam das suas imperícias em cortejar mulheres ou das suas merecidas rejeições ao fazê-lo. Mas isso é o que menos importa, porque se realmente importasse, não estariam na mídia fazendo sucesso.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Salvem as Baleias

Você já assistiu algum filme de mortos-vivos? São aqueles filmes em que os mortos, por alguma razão hollywoodiana, surgem de todo canto para incomodar os vivos. Como os flanelinhas fazem. Pois bem, num belo dia de sol, há alguns anos, na baia de todos os santos, nadava uma baleia que se perdeu. E perdida veio parar nada mais nada menos do que na península de Itapagipe. Em qualquer lugar do mundo, se uma baleia encalhasse na praia, fariam compressas, chamariam os bombeiros e salvariam o bicho. Mas aqui na Ribeira é diferente. Ao avistar aquele ser mitológico, nunca antes descrito na literatura, os nativos pegaram suas tochas e machados e foram para a batalha contra o dragão. Aí, meu amigo, o povo começou a estripar a baleia com suas facas e peixeiras. Centenas de pessoas ávidas pela carne já meio apodrecida, como os mortos-vivos de que falei. Pois é, a vida imita a arte.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

International Super Star Soccer

"Somos 190 milhões, pra frente Brasil..." Repare que o original era "Somos 90 milhões...". A população dobrou em 40 anos. Mas quem se importa, afinal o Brasil está jogando na copa e isso é razão para anestesiar qualquer raciocínio lógico. As empresas ajustam seus horários para que o povo possa asisstir aos jogos, embora duvide que fariam o mesmo por algo mais, digamos, nobre. Se a copa ainda fosse aqui no Brasil... Bom, enfim, todos sentimos como se estivessemos jogando junto. Não jogando, literalmente, chutando, correndo etc, mas influenciando o resultado de uma forma mais mística. "Ta vendo que eu disse que a camisa de fulaninho dá sorte? Brasil tá ganhando!". Se funciona eu não sei, mas parece que a mandinga de fulaninho holandês tem o santo mais forte. 2x1 Holanda. Olhando pelo lado positivo, os enfeites e as besteirinhas ainda servem para o sete de setembro, que merece ser bem mais comemorado.

domingo, 30 de maio de 2010

Expressões Populares I

Algumas expressões são tão comuns em Soterópolis que nem percebemos que elas não existem no resto do Brasil ou na norma culta. Colhi essas belas frases com esmero, e aviso que depois de lê-las não mais as verão do mesmo jeito. Aperte o cinto e prepare-se para o choque:

Dejunto
Por mais incrível que pareça, a expressão dejunto não está no dicionário. Pois é. Felizmente todos nós sabemos o significado de forma osmótica, que se traduz por "próximo à/ao" ou "ao lado de".

"O correio fica dejunto da padaria." (O correio fica ao lado da padaria.)

"Estacione dejunto daquele carro." (Estacione próximo àquele carro.)

Defronte
Esse é um dejunto cara-a-cara. Embora esse pareça mais estranho que o dejunto, ele tem registro no dicionário. Tem mesmo, sério. Significa "em frente de".

"Fica logo ali defronte os camelô." (Fica logo ali em frente aos ambulantes.)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O Poder da Cura

Alguns antigos vizinhos meus, talvez pensando no bem estar geral da nação ou em conforto financeiro mesmo, abriram uma igreja. O culto estava bem popular, havia bastante gente frequentando. Com a prosperidade do negócio, o fato de terem sido os empreendedores começou a subir para as suas cabeças e começaram a se sentir "os escolhidos". Como Neo de Matrix, aquela realidade fictícia tinha lhes dado poderes sobre-humanos, como falar com os mortos, interpretar a bíblia à sua conveniência etc. Bom, todos os dias esses cidadãos jogavam baralho à noitinha. Numa dessas noites, um deles começou a suar frio, passar mal. Estava tendo um infarto. Em vez dos outros chamarem a emergência, resolveram testar seus dons: "Cura ele, Jesus", "Não leva ele, Jesus", "Em nome do Senhor". Pediram, pediram, mas o homem continuava a perecer. Alguém que via a cena ligou para o SAMU, mas já era tarde demais e mais uma vida tinha sido ceifada. Amigos amigos, negócios à parte.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Quebrança

Eu lhe disse que não bulisse. Você buliu assanhou... Pois é, garotada, Pagode! O ritmo que parece mover muita coisa nessas terras. É como pôr o dedo na tomada. Quando começa a tocar todos começam a tremer e se sacodir. Acho que o grande começo foi com o GeraSamba, que depois virou É o Tchan, e que depois de viajar o mundo todo desapareceu. Muitos desapareceram, e como ninguém mais foi procurar, continuam sumidos. Era incrível como esfregavam as nádegas no seu rosto pelo televisor. Se você encontrasse a dançarina na rua, de frente, nem reconheceria. As letras no tempo da boquinha da garrafa tinham duplo sentido. Elas traziam uma mensagem erótica translúcida, logo você não sabia se seus filhos poderiam ouvir aquilo ou não. Mas, em relação às obras-primas de hoje, a coisa mudou muito. Tiraram a ambiguidade do pagode de vez. Tire suas crianças da sala.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Verbos II

Continuando com a miríade semântica dos verbos baianos, hoje vamos ver uns casos interessantes. O uso desses verbos pelos aborígenes de SSA é bastante natural apesar da complexidade de interpretação, logo irá requerer maior atenção dos ouvidos não treinados. Sigam-me os bons:

Verbo Dar

Esse verbo é perigosissímo. Meu conselho é que não use ou tome bastante cuidado quando for empregar. O povo é malandro e sempre irá achar algum duplo sentido para insinuar que você é homossexual. Se não quer que ninguém saiba, tome cuidado. Todavia, o uso é livre em expressões já consagradas.

"Ô se dei de mal." (Eu me dei mal.)

"Vô dar um zig now no selviço." (Vou faltar ao trabalho.)

"Ouxi, dei tudo ao ladrão." (Lá ele.)

Verbo Coisar

Ao contrário do verbo dar, o coisar é para ser generosamente empregado. O objetivo desse verbo é corrigir aquele lapso de memória que ocorre quando você queria dizer uma coisa e dá um branco. Você sabe o começo, sabe o fim, mas não sabe a metade. O entendimento fica a cargo do contexto. Veja os exemplos:

"A piriguete tava coisando o cabelo." (A jovem aplicava produtos tóxicos nos cabelos.)

"Wallace coisou o negóço do carro." (Wallace fez manutenção[??] em seu carro.)

Acrescento que você pode usar como substantivo também pela mesma razão.

"Sei lá, o coisa lá do computador que tá ruim." (Ininteligível sem o contexto.)

domingo, 2 de maio de 2010

Segunda-Feira Gorda dos Mortos-Vivos

Final da tarde de domingo. O sentimento mórbido de que amanhã é segunda-feira, dia de labuta, começa a nos saturar. Faustão tagarelando na televisão como sempre... Isso é comum em todos os lugares, exceto em um: Ribeira. Aqui o fim de semana dura três dias. Domingo na verdade é um préludio da Segunda-Feira Gorda da Ribeira. Os moribundos da praia de domingo jogam a água morna da poça no rosto, batem a areia das havaianas e descem pro pagode. Teoricamente, deveria haver apenas um evento desse por ano, após a Lavagem do Bonfim, mas na prática a história é outra. O povo tem uma disposição incrível para festas. O âmago dessa acontece no fim de linha. Os carros se alinham lado a lado, abrem os porta-malas e tocam as músicas altas o suficiente para chegar até os selenitas na lua. A vibração então atrai outros espécimes ao local, como piriguetes, bráus e isopôs. Eles bebem, cantam e se misturam a noite inteira. Ah, como queria não ter responsabilidades para poder aproveitar essa maravilha de Salvador.

terça-feira, 27 de abril de 2010

A Origem das Espécies

Charles Darwin, um naturalista inglês do século XIX, enquanto observava populações de animais, postulou que esses seres evoluiam para melhor se adaptarem ao seu ambiente. De forma bem resumida, essa é a Teoria da Evolução. As coisas mudam, evoluem, mesmo que não queiram. E não será diferente aqui, em Soterópolis. Aliás, já está acontecendo. O azeite de dendê, por exemplo, que frita o acarajé, consumimos naturalmente em diversos pratos. Mas o turista, que quer experimentar o sabor da terra, prova a iguaria e logo está com calafrios, suando frio ou entronado. Isso é prova que estamos evoluindo. Mas como realmente seremos no futuro? Será que todas nossas articulações serão molas para acompanharmos a peculiaridade da quebradeira? E se nossa capacidade crítica definhar completamente e elegermos Cumpadi Washington prefeito? Percorreremos 12Km a pé naturalmente porque o trânsito se tornou inviável? Andaremos de Metrô?

terça-feira, 20 de abril de 2010

Super Potência

O futebol aqui na terra do Rebolation sempre foi famoso por grandes times e revelar grandes craques. Na capital, dois times disputam a acirrada batalha para ser o o número um: O Bahia e o Vitória. Eles criaram verdadeiras nações, como diria Maquiavel, cujos fãs fanáticos fiéis matariam ou morreriam na discussão de um escanteio de um amistoso. Embora minha sapiência sobre futebol seja tão vasta quanto o hábito de ler do brasileiro, ouso sugerir a criação de um titã. Proponho a fusão dos times Bahia e Vitória na criação da mega potência do futebol baiano: O Super Baitória. A visão da mascote já encheria o coração dos adversários de pânico. O leão vestido de super-homem. A torcida seria uma só, vestida na camisa alvi-azul-rubro-negra. Não haveria adversários à altura no Brasil. E quem sabe até mesmo no mundo. Se o Super Baitória jogasse contra ele mesmo, os dois lados venceriam de goleada. Então, sendo assim, me explique por que, quando tento promover essa ideia, sou crucificado. Não entendo. Isso funciona tão bem com bancos e lojas de eletrodomésticos.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Golden Axé

Só para esclarecer: Axé e pagode são segmentos diferentes. Nesse texto vou tratar somente da música Axé, imortalizada pelas belíssimas músicas do Chiclete, Ivete, Araketu etc. Você deve estar pensando que essas músicas não passam de um amontoado de vogais, como se essas tivessem sido colocadas em um globo de bingo e tiradas aleatoriamente. Mas não é só isso. Tem também um pedaço que fala de dor ou amor, que ninguém nunca se lembra, e um refrão que se repete à exaustão. Junte esses ingredientes no micro-ondas e corra pronto: Você também pode ser um compositor de axé music. Uma dica: quando for compor, faça logo muitas músicas de vez, poque o prazo de validade dessas músicas é muito curto. Com várias canções engatilhadas, você pode tocar por dois ou três dias no rádio sem saturar o público, isso supondo que uma pessoa sóbria e em plena saúde mental tolere ouvir um hit desses no máximo duas ou três vezes. Ganhe pela quantidade. Que tal uma inspiração? Selecionei alguns clássicos que tornaram carnavais inesquecíveis.

Aê aê ê
Aê aê êô
O Chiclete chegou
(Chiclete com Banana)

Êêê ô
Êêê ô
Ê aê aô
O Araketu chegou
(Araketu)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Sabedoria da Vovó

Algumas pessoas, durante suas vidas, acumulam informações utilíssimas. Eu tive uma vizinha, uma senhora, que era uma dessas pessoas. Lembro-me de coisa que aconteceu há vários anos. Um dia uma menina estava engasgada com alguma coisa que comeu. Estava no meio da rua e, como de costume em Soterópolis, várias pessoas estavam urubuzando ao redor, olhando sem a intenção de assistir. Acho que só para depois ter algo para contar. Bom, enfim, todos observavam a menina engasgar. A senhora, minha vizinha, então, como toda a sua experiência de vida, gritou "Faz um chá de cabelo de côco seco que cura o engasgo". Caramba, pensei. Vai ali na quitanda, compra um côco seco, tira os cabelos do fruto, ferve a água, coloca a madeixa, põe um pouco de açucar e depois dá pro defunto beber! Acho que isso é o que iriam encontrar quando chegassem lá com o bendito chá, um defunto mais azul que os personagens de Avatar. Mas, por mais eloquente que parecessse essa ideia, felizmente ninguém deu ouvidos, a menina viveu e ainda ganhou um tapinha nas costas. Santo remédio.

Gerúndio

Cantando, fazendo, partindo. A construção dessa forma, o gerúndio, na capital do axé é feita com uma pequena modificação em relação à norma culta. O último "d" deve ser removido do verbo, pois acredita-se que ele não faz muita diferença para quem ouve. É o apêndice do verbo. Veja alguns exemplos.

"A puliça já chegou bateno em todo mundo." (A polícia já chegou batendo em todo mundo.)

"Eu e os broder tava desceno pro Partido." (Eu e meus amigos estávamos indo ao Partido Alto.)

"Ô tô me saino, pai." (Estou indo embora, meu amigo.)

sábado, 3 de abril de 2010

Sinal Verde

Dizem que dirigir em Salvador é como jogar GTA ou assistir Velozes e Furiosos. Que parece que todos fazem questão de não respeitar a legislação. Bobagem pura. O que acontece na realidade é que existe um padrão informal seguido por todos os motoristas soteropolitanos, embora isso não faça muito sentido. Confesso que, quando comecei a dirigir em SSA, tive algumas dificuldades porque parecia que nada que estava no manual se aplicava às ruas. Mas agora que entendi, vou poupar um pouco do seu tempo e dar algumas dicas de como sobreviver digirir em Salvador.

Vamos começar pelo semáforo. Um erro muito comum que o calouro do volante e o turista cometem é achar que o sinal amarelo do semáforo "Acelera que dá" significa "Atenção, pare". Depois ficam reclamando ao receberem um monte de buzinadas por parar no amarelo. Pior que isso, reclamam também das buzinadas que recebem quando o sinal verde de "Corre que o mundo está acabando" acende e demoram mais de três segundos para sair com carro. O mundo realmente pode estar acabando. O sinal vermelho é outro mal compreendido. De segunda a sexta depende exclusivamente da boa vontade do motorista parar nesse sinal ou não. Nos finais de semana e feriados, o vermelho nada mais é do que um complemento da iluminação pública. Mais uma das belezas de Salvador.

Os Pronomes

Como era de se esperar, os pronomes soteropolitanos não seguem o mesmo padrão do resto do Brasil. Eles possuem uma individualidade marcante, fruto da evolução que necessitavam sofrer para atender ao contexto da cidade. Os pronomes de Salvador precisam exaltar a malícia característica do povo, item que a norma culta não contempla. Vejamos quais são eles e seus correspondentes.

Ô - Eu
Você - Tu
Ele - Ele
Lá Ele - Não há correspondente
Nóis/A Gente = Nós
Eles - Eles
Lá Eles - Não há correspondente

Para a maioria há uma associação direta. Os pronomes "Lá Ele" e "Lá Eles" significam algo ligado a pederastia ou homossexualismo, expresso via ambiguidade. É como se fosse o "it" do inglês osado. Mas como a forma mais prática de aprender é por exemplos, vamos ver alguns.

"Ô se saí." (Eu fui embora.)
"Você deu mole." (Você errou.)
"Ele é alemão." (Ele é policial)
"Lá ele lá longe." (Não há tradução)
"Nóis/A Gente partiu a mil." (Nós fomos embora apressados.)
"Eles são comédia." (Eles são bobos.)
"Lá eles, nada disso, se saia." (Não há tradução.)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Melhores Amigos

Quem não gosta de ter um bicho de estimação em casa? Tudo bem que eles não fiquem exatamente dentro de casa aqui em Axéland, vivam soltos pela ruas fazendo suas necessidades à seu bel prazer, mas não deixam de ser os amados bichos de estimação. Quem não se emociona em ver o dono gritando "Betôvi!" e seu cão do rabo amputado vir correndo em sua direção, balançando o cotoco? Os vira-latas, especialmente, são cães incríveis que nunca ficam doentes e nunca precisam ser levados ao veterinário. Cumprem sua expectativa de vida de dois anos com plenitude. E os gatos vira-latas, metade disso. A alimentação é sempre bem balanceada. As vasilhas de margarina e goiabada estão sempre cheias do resto da feijoada ou do sarapatel, o trono quase sempre tem água limpa, e o bicho ainda tem o a opção de complementar sua dieta com aquele belo prato de macumba que está sempre na esquina, da vizinha que pranteia pela volta do seu amado. Se eu tivesse nascido um cão ou gato suíço, certamente deixaria o frio da minha terra natal e viria morar no calor de Salvador. E só para concluir, "Betôvi" é a abreviação carinhosa e não proposital do famoso Beethoven, a celebridade mundial que todos conhecemos, o cachorro do filme.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Troca de Letrinhas

Passeando pelas ruas e ouvindo o povo conversar em Salvador, nós percebemos que algumas letras são trocadas entre palavras. O motivo disso é incerto, mas acredita-se que seja para dar um charme à sentença. É como se colocassem as palavras numa caixa, dessem uma boa sacudida e Voilà! De todos, um feito bem comum é a troca do "a" pelo "o" e vice-versa. Veja alguns exemplos.

"Mainha, eu quero sogadinho." (Mãe, eu quero salgadinho.)

"Washington é saldado de puliça." (Washington é soldado.)

"Salte." (Solte.)

"Solte." (Salte.)

Verbos I

Vamos começar a ver a pluralidade semântica que os populares atribuem a alguns verbos. Existem verbos que em Salvador possuem uma infinidade de sentidos. O único que não se aplica é o da norma culta. Permita-me apresentar alguns.

Verbo "Bater"

O verbo bater descreve uma ação genérica, logo, sempre é usado substituindo outro verbo que normalmente seria empregado pelos falantes de português. Um verdadeiro curinga. Ex.:

"Vou bater o baba." (Vou jogar futebol.)

"No sábado, a gente bateu o fejão." (No sábado, comemos feijão.)

Verbo "Descer"

O verbo descer apresenta um sentido bem peculiar na capital baiana. Ele expressa o desejo de ir a algum lugar, normalmente a uma festa ou à praia. O soteropolitano não vai, ele desce. Como raramente o cidadão "desce" para a escola, então não use esse complemento. Ex:

"A galera desceu pro ensaio do Harmonia." (A turma foi ao show do Harmonia.)

"Os caras desceram pra ilha de maré." (Meus amigos foram para a ilha de Itaparica.)