Continuando com a miríade semântica dos verbos baianos, hoje vamos ver uns casos interessantes. O uso desses verbos pelos aborígenes de SSA é bastante natural apesar da complexidade de interpretação, logo irá requerer maior atenção dos ouvidos não treinados. Sigam-me os bons:
Verbo Dar
Esse verbo é perigosissímo. Meu conselho é que não use ou tome bastante cuidado quando for empregar. O povo é malandro e sempre irá achar algum duplo sentido para insinuar que você é homossexual. Se não quer que ninguém saiba, tome cuidado. Todavia, o uso é livre em expressões já consagradas.
"Ô se dei de mal." (Eu me dei mal.)
"Vô dar um zig now no selviço." (Vou faltar ao trabalho.)
"Ouxi, dei tudo ao ladrão." (Lá ele.)
Verbo Coisar
Ao contrário do verbo dar, o coisar é para ser generosamente empregado. O objetivo desse verbo é corrigir aquele lapso de memória que ocorre quando você queria dizer uma coisa e dá um branco. Você sabe o começo, sabe o fim, mas não sabe a metade. O entendimento fica a cargo do contexto. Veja os exemplos:
"A piriguete tava coisando o cabelo." (A jovem aplicava produtos tóxicos nos cabelos.)
"Wallace coisou o negóço do carro." (Wallace fez manutenção[??] em seu carro.)
Acrescento que você pode usar como substantivo também pela mesma razão.
"Sei lá, o coisa lá do computador que tá ruim." (Ininteligível sem o contexto.)

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