domingo, 5 de outubro de 2014

Eleições 2014

Esse ano teve Copa do Mundo, que o Brasil levou fumo, e eleições, que vai levar fumo de novo. Fui votar um bairro longe, de povo simples, onde passei parte da minha infância e adolescência. Sempre no mesmo colégio, na mesma sala, com os mesmos mesários e a mesma fila. Não deveria ter fila. Por exemplo, um rapaz, com problema na perna, pela velocidade que ele votou, foi tudo em branco, e ainda saiu comemorando: "É, esse foi o voto mais rápido da minha vida!" Deficientes que em geral carecem tanto de políticas públicas... Um outro criaturo (sim, o blog é meu e me dou liberdade de neologismos) de moicano disse "é pai, vou votar logo tudo em branco e se sair, né não?". A fila na verdade é, por exemplo, uma mulher toda atrapalhada que votou nos dois candidatos e saiu apressada da seção. Mas são 5 candidatos para escolher. O mesário teve que sair correndo atrás dela para que terminasse o processo. Ela justificou "Ouxi, mas já votei no presidente". Pergunta: Sabendo que os dois primeiros votos são para deputado, calcule o quanto ela sabe o que estava fazendo. Outro disse que ia votar em sicrano porque o cunhado dele teve um problema com o plano de saúde e esse político resolveu. Uma senhora tinha certeza que o candidato dela era o melhor, mas não tinha a menor ideia do porquê. Votei em Luciana Genro do PSOL para presidente porque eu concordo com a forma como ela pensa em relação a algumas coisas. Votei também em Eliana Calmon para o senado, nos deputados Marcel Moraes e Ana Rita Tavares, e pra governador Marcos Mendes (esse por falta de opção). Se são os melhores eu não sei. Cabe agora acompanhar para não errar ou acertar de novo nas próximas eleições.

domingo, 10 de agosto de 2014

Sapiência III

"É fácil ser Goku. Difícil é ser Kurilin."

Antigo provérbio oriental


n.e.: Goku está like a boss enfrentando o maligno. Ele espera que a galinha pulando venha de lá pra cá. Quando vier fumegante, ele se defende ou se manda. Já quem está do lado dele...

Jardim Zen

Se você tem um quintal, jardim ou algum canteiro em casa (esse é o meu caso) e já empreendeu em tentar plantar alguma coisa, espero que não tenha tido a decepção que eu tive. Primeiro que tudo que você escolhe plantar morre como se o seu esforço fosse para matar e não florescer. A ideia de que você vai colher seus próprios vegetais para o almoço murcha junto com as suas plantas em poucas semanas. Parece que tem que usar os adubos certos, regar precisamente nos horários certos, medir o PH da terra, etc. Sinceramente, eu não acredito nisso e acho que que existe uma conspiração dos iluminatis que sabota sua plantação caseira utilizando poltergueists. Eles destroem tudo menos quem, quem? as Ervas Daninhas! Essas não. Você não precisa fazer nada que elas crescem que é uma beleza. Você pode plantar na aridez do sertão usando areia radioativa da praia de Fukushima que elas germinam. É impressionante. Tem uma que, aliada ao meu desleixo de arranca-la, já tem mais de um metro de altura. Mas como sempre tem um lado bom nas coisas, eu fui dar uma olhada no mato e encontrei o bicho da foto abaixo.


No começo eu pensei que fosse algum casulo de aranha de árvore, mas depois que pesquisar vi que era um Bicho do Cesto. Esse inseto é uma lagarta que utiliza pedaços de galhos e tudo que acha pela frente para construir esse casulo com a sua seda. Realmente é um trabalho bem bonito que ele fez. Agora todo dia eu passo no "jardim" para dar uma olhada no Eurico, o nome que dei a ele.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Mais um ano de vida

Hoje um colega me perguntou quantos anos eu tenho. De pronto, respondi 28. Independente do que ele comentou em seguida ou do contexto da conversa, só escutava agora meu próprio pensamento. Caramba, 28 anos... estamos em dezembro de 2012, então daqui a 4 meses faço 29 anos, quase 30. Boa parte da vida já passou. Consegui conquistar muitas coisas nesse tempo, eu sei. Tenho certeza que o garotinho que eu fui iria gostar do que sou agora. Porém, muitas portas se fecharam, muitos caminhos não tem mais volta. Não posso mais ser algo que nunca quis ser. Não posso mais ser jogador de futebol por causa dos parafusos no meu tornozelo, nem piloto de caça por causa da miopia. No alistamento, o sargento pediu que eu tirasse os óculos e disse "Que letra tem ali?". Respondi "Ali onde?". Foi minha dispensa. Como disse, nunca quis ser nada disso, mas o que me incomoda é não ter a viabilidade de fazê-lo. Gosto das opções independentemente do fato de usa-las ou não. Enfim...mas algo além disso ainda me incomodava. Nasci em 85. 85 mais 10 igual a 95, mais 10, 2005, mais 5, mais 2... são 27! Caramba, errei minha idade. Tenho 27 anos. Tenho a vida toda pela frente ainda. Jovem, saudável, quase sou o mesmo garoto que achei que me observava de longe. Tenho muita coisa pra fazer ainda. Conversas para ter, lugares pra ir, coisas para aprender. Fiquei feliz com toda essa confusão que fiz nas contas, com a lógica que conduziu o pensamento, porque, afinal de contas, não é todo dia que se ganha mais um ano de vida.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Quem mente mal...

Dia desses estava lendo um artigo que explicava como o nosso cérebro cria boa parte do conteúdo que é captado pelos nossos sentidos. Como nossa cuca não tem capacidade de processar em tempo real a grande quantidade de informação que nos é apresentada (carros em movimento, música tocando, coceira no braço, sol na cabeça, tudo de vez), ela cria projeções da realidade, ilusões que irão se materializar frações de segundo no futuro. O cérebro também completa e corrige o sentido de muita coisa, o que nos faz aceitar instantaneamente coisas que vistas com calma são realmente esquisitas. Minha Senhora, por exemplo, me alertou de uma coisa que as pessoas aqui em Salvador sempre falam e eu não tinha reparado: "malmente". "Ele estava tão cansado que malmente podia falar". Se "mal" já um advérbio, por que diabos o cidadão precisa adverbiar o advérbio colocando o sufixo "mente"? Se a coisa está mal, é porque anda mal, continua mal, permanece mal. De tão cansado, ele mal podia falar. Isso é suficiente, não? Bom, mas uma coisa que eu acho interessante quando descobrimos um caso desse é que, a partir daí, adquirimos uma habilidade nova, a de perceber essa falha de prontidão. Se você leitor nunca havia reparado nisso até agora, sinta-se agora com seu radar atualizado para esse easter egg involuntário do cotidiano.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Golden Axé II

Bom, como havia dito no primeiro Golden Axé, compor uma música de Axé é uma tarefa que pode ser executada por qualquer pessoa, desde as de nível de QI proto-vegetal até aqueles acima da média (onde a maioria acha que está). Então vamos adicionar mais algumas ideias às nossas ferramentas de criação. Como aprendemos a juntar as vogais nas nossas primeiras idas à escola, falta agora o refrão. Lembre-se: O refrão deve rimar. Não precisa ser nada novo, aposte nos clássicos. "Dor" com "amor", "paixão" com "coração". As palavras também não precisam estar ligadas umas as outras em relação ao sentido. Se você ficar famoso, certamente alguém vai achar alguma semântica que ilustre a sua genialidade na escolha aleatória dessas palavras. Vou fazer uma pequena análise de uma composição recente para tentar exemplificar minha teoria. Veja o trecho da música abaixo:

Mas pra você que gosta de navegar no site,

Eu vou apresentar a dança do Street fighter.

"Roliugui" faz o Ken, "Roliugui" faz Ryu,

Eu vou apresentar o Guile dando "Alec fú".

Esse é um pequeno trecho da música Dança do Street Fighter, uma homenagem sincera, porém de gosto duvidoso. As rimas da música são facilmente identificadas, como em "site" com "Street Fight", embora a relação entre o sentido dessas palavras seja tão frágil quanto Salvador em dia de chuva. Que site é esse que você costuma navegar e gera a obrigação no autor de ter que te apresentar essa música de temática tão peculiar...? A diante, nas duas outras frases, o poeta transcreveu literalmente o que era ouvido popularmente para favorecer a rima, vide a clareza da pronúncia no jogo original. Ficou bem interessante até, eu teria feito o mesmo, só que propositalmente. Aqui vai o link para você poder conferir no youtube essa máquina em movimento. E se por acaso, depois dessa elucidação, você estiver agora se esforçando pra achar algum sentido em qualquer uma dessas relações, sinto dizer, mas você está indo no caminho errado! Você está procurando a resposta certa para a pergunta errada. Quem é seu público? O que eles querem?

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Empirismo Pizzalógico I


O tamanho da pizza nunca atende a quantidade de pessoas para as quais ela foi feita. Sempre há pizza demais ou pessoas demais.

Pizza de mussarela (o correto é muçarela, mas é irrelevante) é uma pizza de alguma coisa sem a alguma coisa.

Pizza de milho é uma pizza de mussarela com o que havia de mais barato no mercado por cima apenas para tentar deixar de ser somente mussarela.

Pizza de alguma coisa com azeitona em que há apenas uma azeitona é somente uma pizza de alguma coisa.

Uma pizza de alguma coisa custa o mesmo preço da sua versão com catupiry. Calcule o catupiry.

Pizza de atum é que nem sorvete de baunilha: certamente não seria escolhida se houvesse outras opções.

Desconfie se a pizza de camarão não for mais cara do que as outras.

No rodízio, a culpa irá gerar 50% dos seus futuros problemas de saúde através da ansiedade e do desconforto. Livre-se dela.

As pizzas doces no rodízio trazem a sensação de finitude do banquete. Evite-as o máximo que puder enquanto ainda houver espaço para as outras.