Charles Darwin, um naturalista inglês do século XIX, enquanto observava populações de animais, postulou que esses seres evoluiam para melhor se adaptarem ao seu ambiente. De forma bem resumida, essa é a Teoria da Evolução. As coisas mudam, evoluem, mesmo que não queiram. E não será diferente aqui, em Soterópolis. Aliás, já está acontecendo. O azeite de dendê, por exemplo, que frita o acarajé, consumimos naturalmente em diversos pratos. Mas o turista, que quer experimentar o sabor da terra, prova a iguaria e logo está com calafrios, suando frio ou entronado. Isso é prova que estamos evoluindo. Mas como realmente seremos no futuro? Será que todas nossas articulações serão molas para acompanharmos a peculiaridade da quebradeira? E se nossa capacidade crítica definhar completamente e elegermos Cumpadi Washington prefeito? Percorreremos 12Km a pé naturalmente porque o trânsito se tornou inviável? Andaremos de Metrô?
terça-feira, 27 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
Super Potência
O futebol aqui na terra do Rebolation sempre foi famoso por grandes times e revelar grandes craques. Na capital, dois times disputam a acirrada batalha para ser o o número um: O Bahia e o Vitória. Eles criaram verdadeiras nações, como diria Maquiavel, cujos fãs fanáticos fiéis matariam ou morreriam na discussão de um escanteio de um amistoso. Embora minha sapiência sobre futebol seja tão vasta quanto o hábito de ler do brasileiro, ouso sugerir a criação de um titã. Proponho a fusão dos times Bahia e Vitória na criação da mega potência do futebol baiano: O Super Baitória. A visão da mascote já encheria o coração dos adversários de pânico. O leão vestido de super-homem. A torcida seria uma só, vestida na camisa alvi-azul-rubro-negra. Não haveria adversários à altura no Brasil. E quem sabe até mesmo no mundo. Se o Super Baitória jogasse contra ele mesmo, os dois lados venceriam de goleada. Então, sendo assim, me explique por que, quando tento promover essa ideia, sou crucificado. Não entendo. Isso funciona tão bem com bancos e lojas de eletrodomésticos.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Golden Axé
Só para esclarecer: Axé e pagode são segmentos diferentes. Nesse texto vou tratar somente da música Axé, imortalizada pelas belíssimas músicas do Chiclete, Ivete, Araketu etc. Você deve estar pensando que essas músicas não passam de um amontoado de vogais, como se essas tivessem sido colocadas em um globo de bingo e tiradas aleatoriamente. Mas não é só isso. Tem também um pedaço que fala de dor ou amor, que ninguém nunca se lembra, e um refrão que se repete à exaustão. Junte esses ingredientes no micro-ondas e corra pronto: Você também pode ser um compositor de axé music. Uma dica: quando for compor, faça logo muitas músicas de vez, poque o prazo de validade dessas músicas é muito curto. Com várias canções engatilhadas, você pode tocar por dois ou três dias no rádio sem saturar o público, isso supondo que uma pessoa sóbria e em plena saúde mental tolere ouvir um hit desses no máximo duas ou três vezes. Ganhe pela quantidade. Que tal uma inspiração? Selecionei alguns clássicos que tornaram carnavais inesquecíveis.
Aê aê ê
Aê aê êô
O Chiclete chegou
(Chiclete com Banana)
Êêê ô
Êêê ô
Ê aê aô
O Araketu chegou
(Araketu)
Aê aê ê
Aê aê êô
O Chiclete chegou
(Chiclete com Banana)
Êêê ô
Êêê ô
Ê aê aô
O Araketu chegou
(Araketu)
terça-feira, 6 de abril de 2010
Sabedoria da Vovó
Algumas pessoas, durante suas vidas, acumulam informações utilíssimas. Eu tive uma vizinha, uma senhora, que era uma dessas pessoas. Lembro-me de coisa que aconteceu há vários anos. Um dia uma menina estava engasgada com alguma coisa que comeu. Estava no meio da rua e, como de costume em Soterópolis, várias pessoas estavam urubuzando ao redor, olhando sem a intenção de assistir. Acho que só para depois ter algo para contar. Bom, enfim, todos observavam a menina engasgar. A senhora, minha vizinha, então, como toda a sua experiência de vida, gritou "Faz um chá de cabelo de côco seco que cura o engasgo". Caramba, pensei. Vai ali na quitanda, compra um côco seco, tira os cabelos do fruto, ferve a água, coloca a madeixa, põe um pouco de açucar e depois dá pro defunto beber! Acho que isso é o que iriam encontrar quando chegassem lá com o bendito chá, um defunto mais azul que os personagens de Avatar. Mas, por mais eloquente que parecessse essa ideia, felizmente ninguém deu ouvidos, a menina viveu e ainda ganhou um tapinha nas costas. Santo remédio.
Gerúndio
Cantando, fazendo, partindo. A construção dessa forma, o gerúndio, na capital do axé é feita com uma pequena modificação em relação à norma culta. O último "d" deve ser removido do verbo, pois acredita-se que ele não faz muita diferença para quem ouve. É o apêndice do verbo. Veja alguns exemplos.
"A puliça já chegou bateno em todo mundo." (A polícia já chegou batendo em todo mundo.)
"Eu e os broder tava desceno pro Partido." (Eu e meus amigos estávamos indo ao Partido Alto.)
"Ô tô me saino, pai." (Estou indo embora, meu amigo.)
"A puliça já chegou bateno em todo mundo." (A polícia já chegou batendo em todo mundo.)
"Eu e os broder tava desceno pro Partido." (Eu e meus amigos estávamos indo ao Partido Alto.)
"Ô tô me saino, pai." (Estou indo embora, meu amigo.)
sábado, 3 de abril de 2010
Sinal Verde
Dizem que dirigir em Salvador é como jogar GTA ou assistir Velozes e Furiosos. Que parece que todos fazem questão de não respeitar a legislação. Bobagem pura. O que acontece na realidade é que existe um padrão informal seguido por todos os motoristas soteropolitanos, embora isso não faça muito sentido. Confesso que, quando comecei a dirigir em SSA, tive algumas dificuldades porque parecia que nada que estava no manual se aplicava às ruas. Mas agora que entendi, vou poupar um pouco do seu tempo e dar algumas dicas de como sobreviver digirir em Salvador.
Vamos começar pelo semáforo. Um erro muito comum que o calouro do volante e o turista cometem é achar que o sinal amarelo do semáforo "Acelera que dá" significa "Atenção, pare". Depois ficam reclamando ao receberem um monte de buzinadas por parar no amarelo. Pior que isso, reclamam também das buzinadas que recebem quando o sinal verde de "Corre que o mundo está acabando" acende e demoram mais de três segundos para sair com carro. O mundo realmente pode estar acabando. O sinal vermelho é outro mal compreendido. De segunda a sexta depende exclusivamente da boa vontade do motorista parar nesse sinal ou não. Nos finais de semana e feriados, o vermelho nada mais é do que um complemento da iluminação pública. Mais uma das belezas de Salvador.
Os Pronomes
Como era de se esperar, os pronomes soteropolitanos não seguem o mesmo padrão do resto do Brasil. Eles possuem uma individualidade marcante, fruto da evolução que necessitavam sofrer para atender ao contexto da cidade. Os pronomes de Salvador precisam exaltar a malícia característica do povo, item que a norma culta não contempla. Vejamos quais são eles e seus correspondentes.
Ô - Eu
Você - Tu
Ele - Ele
Lá Ele - Não há correspondente
Nóis/A Gente = Nós
Eles - Eles
Lá Eles - Não há correspondente
Para a maioria há uma associação direta. Os pronomes "Lá Ele" e "Lá Eles" significam algo ligado a pederastia ou homossexualismo, expresso via ambiguidade. É como se fosse o "it" do inglês osado. Mas como a forma mais prática de aprender é por exemplos, vamos ver alguns.
"Ô se saí." (Eu fui embora.)
"Você deu mole." (Você errou.)
"Ele é alemão." (Ele é policial)
"Lá ele lá longe." (Não há tradução)
"Nóis/A Gente partiu a mil." (Nós fomos embora apressados.)
"Eles são comédia." (Eles são bobos.)
"Lá eles, nada disso, se saia." (Não há tradução.)
Ô - Eu
Você - Tu
Ele - Ele
Lá Ele - Não há correspondente
Nóis/A Gente = Nós
Eles - Eles
Lá Eles - Não há correspondente
Para a maioria há uma associação direta. Os pronomes "Lá Ele" e "Lá Eles" significam algo ligado a pederastia ou homossexualismo, expresso via ambiguidade. É como se fosse o "it" do inglês osado. Mas como a forma mais prática de aprender é por exemplos, vamos ver alguns.
"Ô se saí." (Eu fui embora.)
"Você deu mole." (Você errou.)
"Ele é alemão." (Ele é policial)
"Lá ele lá longe." (Não há tradução)
"Nóis/A Gente partiu a mil." (Nós fomos embora apressados.)
"Eles são comédia." (Eles são bobos.)
"Lá eles, nada disso, se saia." (Não há tradução.)
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Melhores Amigos
Quem não gosta de ter um bicho de estimação em casa? Tudo bem que eles não fiquem exatamente dentro de casa aqui em Axéland, vivam soltos pela ruas fazendo suas necessidades à seu bel prazer, mas não deixam de ser os amados bichos de estimação. Quem não se emociona em ver o dono gritando "Betôvi!" e seu cão do rabo amputado vir correndo em sua direção, balançando o cotoco? Os vira-latas, especialmente, são cães incríveis que nunca ficam doentes e nunca precisam ser levados ao veterinário. Cumprem sua expectativa de vida de dois anos com plenitude. E os gatos vira-latas, metade disso. A alimentação é sempre bem balanceada. As vasilhas de margarina e goiabada estão sempre cheias do resto da feijoada ou do sarapatel, o trono quase sempre tem água limpa, e o bicho ainda tem o a opção de complementar sua dieta com aquele belo prato de macumba que está sempre na esquina, da vizinha que pranteia pela volta do seu amado. Se eu tivesse nascido um cão ou gato suíço, certamente deixaria o frio da minha terra natal e viria morar no calor de Salvador. E só para concluir, "Betôvi" é a abreviação carinhosa e não proposital do famoso Beethoven, a celebridade mundial que todos conhecemos, o cachorro do filme.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Troca de Letrinhas
Passeando pelas ruas e ouvindo o povo conversar em Salvador, nós percebemos que algumas letras são trocadas entre palavras. O motivo disso é incerto, mas acredita-se que seja para dar um charme à sentença. É como se colocassem as palavras numa caixa, dessem uma boa sacudida e Voilà! De todos, um feito bem comum é a troca do "a" pelo "o" e vice-versa. Veja alguns exemplos.
"Mainha, eu quero sogadinho." (Mãe, eu quero salgadinho.)
"Washington é saldado de puliça." (Washington é soldado.)
"Salte." (Solte.)
"Solte." (Salte.)
"Mainha, eu quero sogadinho." (Mãe, eu quero salgadinho.)
"Washington é saldado de puliça." (Washington é soldado.)
"Salte." (Solte.)
"Solte." (Salte.)
Verbos I
Vamos começar a ver a pluralidade semântica que os populares atribuem a alguns verbos. Existem verbos que em Salvador possuem uma infinidade de sentidos. O único que não se aplica é o da norma culta. Permita-me apresentar alguns.
Verbo "Bater"
O verbo bater descreve uma ação genérica, logo, sempre é usado substituindo outro verbo que normalmente seria empregado pelos falantes de português. Um verdadeiro curinga. Ex.:
"Vou bater o baba." (Vou jogar futebol.)
"No sábado, a gente bateu o fejão." (No sábado, comemos feijão.)
Verbo "Descer"
O verbo descer apresenta um sentido bem peculiar na capital baiana. Ele expressa o desejo de ir a algum lugar, normalmente a uma festa ou à praia. O soteropolitano não vai, ele desce. Como raramente o cidadão "desce" para a escola, então não use esse complemento. Ex:
"A galera desceu pro ensaio do Harmonia." (A turma foi ao show do Harmonia.)
"Os caras desceram pra ilha de maré." (Meus amigos foram para a ilha de Itaparica.)
Verbo "Bater"
O verbo bater descreve uma ação genérica, logo, sempre é usado substituindo outro verbo que normalmente seria empregado pelos falantes de português. Um verdadeiro curinga. Ex.:
"Vou bater o baba." (Vou jogar futebol.)
"No sábado, a gente bateu o fejão." (No sábado, comemos feijão.)
Verbo "Descer"
O verbo descer apresenta um sentido bem peculiar na capital baiana. Ele expressa o desejo de ir a algum lugar, normalmente a uma festa ou à praia. O soteropolitano não vai, ele desce. Como raramente o cidadão "desce" para a escola, então não use esse complemento. Ex:
"A galera desceu pro ensaio do Harmonia." (A turma foi ao show do Harmonia.)
"Os caras desceram pra ilha de maré." (Meus amigos foram para a ilha de Itaparica.)
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