Hoje um colega me perguntou quantos anos eu tenho. De pronto, respondi 28. Independente do que ele comentou em seguida ou do contexto da conversa, só escutava agora meu próprio pensamento. Caramba, 28 anos... estamos em dezembro de 2012, então daqui a 4 meses faço 29 anos, quase 30. Boa parte da vida já passou. Consegui conquistar muitas coisas nesse tempo, eu sei. Tenho certeza que o garotinho que eu fui iria gostar do que sou agora. Porém, muitas portas se fecharam, muitos caminhos não tem mais volta. Não posso mais ser algo que nunca quis ser. Não posso mais ser jogador de futebol por causa dos parafusos no meu tornozelo, nem piloto de caça por causa da miopia. No alistamento, o sargento pediu que eu tirasse os óculos e disse "Que letra tem ali?". Respondi "Ali onde?". Foi minha dispensa. Como disse, nunca quis ser nada disso, mas o que me incomoda é não ter a viabilidade de fazê-lo. Gosto das opções independentemente do fato de usa-las ou não. Enfim...mas algo além disso ainda me incomodava. Nasci em 85. 85 mais 10 igual a 95, mais 10, 2005, mais 5, mais 2... são 27! Caramba, errei minha idade. Tenho 27 anos. Tenho a vida toda pela frente ainda. Jovem, saudável, quase sou o mesmo garoto que achei que me observava de longe. Tenho muita coisa pra fazer ainda. Conversas para ter, lugares pra ir, coisas para aprender. Fiquei feliz com toda essa confusão que fiz nas contas, com a lógica que conduziu o pensamento, porque, afinal de contas, não é todo dia que se ganha mais um ano de vida.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Quem mente mal...
Dia desses estava lendo um artigo que explicava como o nosso cérebro cria boa parte do conteúdo que é captado pelos nossos sentidos. Como nossa cuca não tem capacidade de processar em tempo real a grande quantidade de informação que nos é apresentada (carros em movimento, música tocando, coceira no braço, sol na cabeça, tudo de vez), ela cria projeções da realidade, ilusões que irão se materializar frações de segundo no futuro. O cérebro também completa e corrige o sentido de muita coisa, o que nos faz aceitar instantaneamente coisas que vistas com calma são realmente esquisitas. Minha Senhora, por exemplo, me alertou de uma coisa que as pessoas aqui em Salvador sempre falam e eu não tinha reparado: "malmente". "Ele estava tão cansado que malmente podia falar". Se "mal" já um advérbio, por que diabos o cidadão precisa adverbiar o advérbio colocando o sufixo "mente"? Se a coisa está mal, é porque anda mal, continua mal, permanece mal. De tão cansado, ele mal podia falar. Isso é suficiente, não? Bom, mas uma coisa que eu acho interessante quando descobrimos um caso desse é que, a partir daí, adquirimos uma habilidade nova, a de perceber essa falha de prontidão. Se você leitor nunca havia reparado nisso até agora, sinta-se agora com seu radar atualizado para esse easter egg involuntário do cotidiano.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Golden Axé II
Bom, como havia dito no primeiro Golden Axé, compor uma música de Axé é uma tarefa que pode ser executada por qualquer pessoa, desde as de nível de QI proto-vegetal até aqueles acima da média (onde a maioria acha que está). Então vamos adicionar mais algumas ideias às nossas ferramentas de criação. Como aprendemos a juntar as vogais nas nossas primeiras idas à escola, falta agora o refrão. Lembre-se: O refrão deve rimar. Não precisa ser nada novo, aposte nos clássicos. "Dor" com "amor", "paixão" com "coração". As palavras também não precisam estar ligadas umas as outras em relação ao sentido. Se você ficar famoso, certamente alguém vai achar alguma semântica que ilustre a sua genialidade na escolha aleatória dessas palavras. Vou fazer uma pequena análise de uma composição recente para tentar exemplificar minha teoria. Veja o trecho da música abaixo:
Mas pra você que gosta de navegar no site,
Eu vou apresentar a dança do Street fighter.
"Roliugui" faz o Ken, "Roliugui" faz Ryu,
Eu vou apresentar o Guile dando "Alec fú".
Esse é um pequeno trecho da música Dança do Street Fighter, uma homenagem sincera, porém de gosto duvidoso. As rimas da música são facilmente identificadas, como em "site" com "Street Fight", embora a relação entre o sentido dessas palavras seja tão frágil quanto Salvador em dia de chuva. Que site é esse que você costuma navegar e gera a obrigação no autor de ter que te apresentar essa música de temática tão peculiar...? A diante, nas duas outras frases, o poeta transcreveu literalmente o que era ouvido popularmente para favorecer a rima, vide a clareza da pronúncia no jogo original. Ficou bem interessante até, eu teria feito o mesmo, só que propositalmente. Aqui vai o link para você poder conferir no youtube essa máquina em movimento. E se por acaso, depois dessa elucidação, você estiver agora se esforçando pra achar algum sentido em qualquer uma dessas relações, sinto dizer, mas você está indo no caminho errado! Você está procurando a resposta certa para a pergunta errada. Quem é seu público? O que eles querem?
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Empirismo Pizzalógico I
O tamanho da pizza nunca atende a quantidade de pessoas para as quais ela foi feita. Sempre há pizza demais ou pessoas demais.
Pizza de mussarela (o correto é muçarela, mas é irrelevante) é uma pizza de alguma coisa sem a alguma coisa.
Pizza de milho é uma pizza de mussarela com o que havia de mais barato no mercado por cima apenas para tentar deixar de ser somente mussarela.
Pizza de alguma coisa com azeitona em que há apenas uma azeitona é somente uma pizza de alguma coisa.
Uma pizza de alguma coisa custa o mesmo preço da sua versão com catupiry. Calcule o catupiry.
Pizza de atum é que nem sorvete de baunilha: certamente não seria escolhida se houvesse outras opções.
Desconfie se a pizza de camarão não for mais cara do que as outras.
No rodízio, a culpa irá gerar 50% dos seus futuros problemas de saúde através da ansiedade e do desconforto. Livre-se dela.
As pizzas doces no rodízio trazem a sensação de finitude do banquete. Evite-as o máximo que puder enquanto ainda houver espaço para as outras.
As pizzas doces no rodízio trazem a sensação de finitude do banquete. Evite-as o máximo que puder enquanto ainda houver espaço para as outras.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Volta Mesóclise!
Saudá-los-ei antes de tudo. Resolvi oficializar nesse post uma campanha que tenho trabalhado há algum tempo, que é a volta da Mesóclise. Mesóclise é a penetração do pronome no meio do verbo, lá ele, que inclusive usei para começar esse texto. O objetivo desse resgate é não haver motivo para o povo ter parado de usar, fora, é claro, as inúmeras deficiências do nosso sistema educacional. Mas para que serve isso? Em resumo, serve para não iniciar sentenças com pronomes oblíquos e fazer um upgrade estético na ideia da sua prosa. Além disso, cientistas ingleses descobriram que o uso da mesóclise reduz em até 30% o risco de desenvolvimento de doenças cardíacas. Sabendo disso, agora é só usar a criatividade e mandar bala. Essa campanha já está surtindo efeito e podemos observar a adesão de autores famosos à causa, como Machado de Assis e José de Alencar, além da influência em obras famosas, como a Bíblia. Fá-lo-eis agora, já abstraindo os inevitáveis cacófatos.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
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