sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Quem mente mal...

Dia desses estava lendo um artigo que explicava como o nosso cérebro cria boa parte do conteúdo que é captado pelos nossos sentidos. Como nossa cuca não tem capacidade de processar em tempo real a grande quantidade de informação que nos é apresentada (carros em movimento, música tocando, coceira no braço, sol na cabeça, tudo de vez), ela cria projeções da realidade, ilusões que irão se materializar frações de segundo no futuro. O cérebro também completa e corrige o sentido de muita coisa, o que nos faz aceitar instantaneamente coisas que vistas com calma são realmente esquisitas. Minha Senhora, por exemplo, me alertou de uma coisa que as pessoas aqui em Salvador sempre falam e eu não tinha reparado: "malmente". "Ele estava tão cansado que malmente podia falar". Se "mal" já um advérbio, por que diabos o cidadão precisa adverbiar o advérbio colocando o sufixo "mente"? Se a coisa está mal, é porque anda mal, continua mal, permanece mal. De tão cansado, ele mal podia falar. Isso é suficiente, não? Bom, mas uma coisa que eu acho interessante quando descobrimos um caso desse é que, a partir daí, adquirimos uma habilidade nova, a de perceber essa falha de prontidão. Se você leitor nunca havia reparado nisso até agora, sinta-se agora com seu radar atualizado para esse easter egg involuntário do cotidiano.

Um comentário: